TODA
A VERDADE SOBRE A GORDURA
A QUE VOCÊ PÕE NO PRATO E AQUELA QUE FAZ A ROUPA APERTAR NO CORPO
por Eliane Contreras – IG 08.5.06
Entender o mundo das gorduras não é fácil: descobertas e novas avaliações sobre esse nutriente surgem a cada dia – ele está e sempre esteve na berlinda. Mas não desista! BOA FORMA foi atrás de informações fresquinhas para você aproveitar apenas o lado bom dessa história. A mais incrível delas: beber mais água ajuda você a acumular menos gordura no corpo. Será possível? Segundo pesquisadores do Instituto de Genética e Citologia, da Universidade de Changchun, na China, beber pouca água (menos de 2 litros por dia) prejudica o funcionamento dos rins, que pede socorro ao fígado, passando parte de suas tarefas para ele. ”Sobrecarregado, o fígado deixa de cumprir uma de suas principais atribuições: metabolizar a gordura, transformando-a em energia“, explica a nutricionista Elisangela Brioschi, de Curitiba. A solução é beber mais água!
Agora, se você está apostando tudo na moda das gorduras do tipo ômega, vá devagar: o consumo de ômega 3 e 6 deve ser equilibrado para não interferir no sistema imunológico! Exagerar no ômega 6 pode aumentar os riscos de infecções nas articulações (artrite) e infarto. O alerta foi dado no II Simpósio de Ácidos Graxos e Saúde, organizado no início deste ano pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo. Artrite e infarto não estão na sua lista de preocupações imediatas? Ok, mas é sempre bom pensar no futuro.
Juntar gordura na barriga também é sinal de perigo e tem preocupado os especialistas. ”Um dos riscos desse estoque, chamado de gordura visceral, é desencadear um sério problema de saúde: a resistência à insulina. É assim: o pâncreas não produz insulina suficiente para carregar a glicose para dentro das células. Com isso, sobra açúcar no sangue que é estocado na forma de gordura, comprometendo a estética e trazendo prejuízos à saúde“, diz Gabriella Guerrero, nutricionista da Runner Academia, em São Paulo. Confira a seguir outros notícias sobre a gordura – no prato e no corpo. Você não precisa eliminá-la da sua vida, basta aprender a usar do jeito certo.
Gordura no corpo
Você vive batalhando para secar os estoques de gordura e ficar de bem com suas curvas. Mas se seu objetivo é atingir 0% de gordura no corpo, esqueça. ”Para um funcionamento fisiológico normal, as mulheres precisam de pelo menos 12% de gordura corporal. Estocada na medula óssea, coração, pulmão, fígado, baço, rins, intestinos, músculos e sistema nervoso central, ela tem funções nobres – regula a temperatura interna, leva certas vitaminas (A, D, E e K) para as células, mantém a elasticidade da pele, protege os órgãos vitais e serve de matéria-prima para os hormônios sexuais“, explica a nutricionista Gabriella Guerrero. Veja bem, sem gordura, você vai perder até o apetite sexual – uma lástima! Só que excesso também não é bom. Quando você passa da dose, lá vem culote, celulite, pneuzinho, gordura localizada. ”Ninguém escolhe onde quer alocar a gordura. É a genética que define se ela se concentra nas partes superior, inferior do corpo ou nas duas“, conta a nutricionista Elisangela Brioschi. E qual é o limite? Acima de 28% (nas mulheres), o tecido adiposo vira um inimigo perigoso, especialmente se concentrado no abdômen. Pode causar resistência à insulina, assunto que está pintando com freqüência nos consultórios dos endocrinologistas. E resistência à insulina engorda ainda mais. Contra-ataque: além de cortar calorias, tem de malhar. E aí o que mais interessa é a intensidade do treino: quanto mais você se impuser um ritmo intenso, mais calorias vai gastar, queimando as reservas de gordura. Pegar muito pesado também não pode. ”O momento certo de aumentar a carga da ergométrica ou inclinar mais a esteira é quando o esforço não deixa você ofegante“, explica o personal trainer Waldyr Salles, da Academia Energia Vital, no Rio de Janeiro.
Cada bebê nasce com uma quantidade diferente de células de gordura. É por isso que uns são mais fofos do que outros. Mas as dobrinhas que agradam as vovós devem ser vistas com cautela – manter o corpo rechonchudo na infância e na adolescência pode resultar em obesidade na fase adulta. ”Até por volta dos 15 anos, as células de gordura se multiplicam, especialmente se a pessoa estiver acima do peso (a partir dessa idade, as células aumentam de tamanho, mas não de número)“, diz Elisangela Brioschi. Quanto mais células adiposas você tiver juntado na juventude, maior o esforço para mantê-las magrinhas e conquistar uma silhueta enxuta. Pode ser ainda pior: cientistas da Univeridade do Estado de New Jersey (EUA) descobriram que, se você tem excesso da enzina lipina, suas células tendem a acumular 90% mais gordura.
Conheça os diferentes tipos e faça a escolha certa
POLIINSATURADA
Os ômegas são dessa família de ácidos graxos. O 3 aparece aos montes em
peixes como o salmão, o atum e a sardinha, além do óleo de canola. Já o 6
está no óleo de soja. "É importante consumir ambos", avisa a
nutricionista Cynthia Antonaccio. Um tem poder antiinfl amatório e o outro
está associado com as defesas do organismo. Segundo Isabela Cardoso Pimentel, a
ingestão do ômega-3 ajuda no desenvolvimento do feto no caso das gestantes e,
depois, contribui para que o leite materno seja de excelente qualidade.
MONOINSATURADA
Talvez o azeite seja seu principal representante, mas o abacate e a
noz-macadâmia também são boas fontes. Estudos mostram que o consumo desse
tipo de gordura ajuda a controlar os níveis de colesterol e de glicose no
sangue. Claro, mesmo sendo benéfi co, não vale exagerar. Lembre-se de que cada
grama de gordura soma 9 calorias. Mas, para a nutricionista Cynthia Antonaccio,
"esses alimentos não podem faltar no cardápio das mulheres."
SATURADA
Manteiga, chantilly, leite e carne vermelha são alimentos campeões no teor
dessa substância gordurosa, associada a encrencas nas artérias e, portanto, a
doenças do coração. Peixes e óleos vegetais também contam com ela, só que
em pequenas quantidades. Mas, afi nal, a saturada teria alguma boa atuação?
"Sim, ela ajuda a proteger nossos órgãos", responde o professor
Jorge Mancini. Por isso os especialistas recomendam sua inclusão no dia-a-dia,
ainda que com muita parcimônia. "Menos é melhor", dita a regra a
nutricionista Mariana Del Bosco.
TRANS
Quando o assunto é fertilidade, ela não deixa de ser a vilã de sempre. A
trans, que ainda aparece em algumas margarinas, sorvetes, biscoitos e outros
produtos de panifi cação, também é acusada por falhas na ovulação — ou
seja, diminui a chance de engravidar. Para gestantes ela é potencialmente
perigosa, pois eleva os níveis do colesterol ruim, o que prejudica a
circulação nesse período tão delicado.